Os objetos, no Tractatus, são os elementos mais simples do mundo que são representados pelos nomes simples da linguagem, formando proposições elementares que figuram algo no mundo. Dessa forma, os objetos são elementos simples que combinam-se entre si, como elos de uma corrente, sendo que esta combinação de objetos forma um estado de coisas (TLP 2.03). Se uma combinação específica de objetos existe no mundo, ou seja, se no mundo esta combinação específica de objetos acontece, então este estado de coisas é um fato, pois o fato é a existência de um estado de coisas (TLP 2) sendo que o mundo é a totalidade de fatos, tudo o que é o caso (TLP 1-1.1).
Uma das propriedades internas do objeto é que ele deve estar em um estado de coisas. Não é possível conceber um objeto fora de um estado de coisas, fora da possibilidade de uma combinação com outros objetos (TLP 2.0121). Se um objeto existe, então ele existe em uma combinação com outros objetos1.
Mas por que as coisas devem ser assim, como afirma inicialmente o Tractatus? Uma das respostas se encontra na natureza da lógica. Para Wittgenstein, a lógica é a priori. As proposições que representam o mundo devem representar contingências. Por exemplo, qual fato é representado pela proposição "ou chove ou não chove" ou pela proposição "o livro é vermelho e o livro não é vermelho"? Estas duas proposições não representam nada no mundo, pois não representam possibilidade alguma. Portanto, se no final da análise encontram-se os nomes simples, que se combinam de diversas possíveis maneiras formando as proposições elementares, inanalisáveis, e estes nomes estão para elementos simples do mundo, os objetos, da mesma forma os objetos devem se combinar de diversas maneiras possíveis para fazer parte de estados de coisas, que são todos os "fatos possíveis" da realidade (TLP 2.06). Assim, é uma propriedade interna do objeto a sua possibilidade de aparecimento em estados de coisas (TLP 2.0123-2.01231), de se combinar com outros objetos. O modo como os objetos estão combinados é a estrutura do estados de coisas (TLP 2.034) e a possibilidade da estrutura é a forma (TLP 2.033).
Outra característica dos objetos é que eles existem, necessariamente. Ou seja, se objetos pudessem não existir, então o sentido de uma proposição que representasse um objeto dependeria do sentido de uma outra proposição (TLP 2.0211), a saber, a proposição que afirma a existência deste objeto. Por exemplo, se "Fa" é uma proposição elementar e "a" é um nome que representa o objeto a, esta proposição só teria sentido se fosse verdadeira uma outra proposição que afirma que este objeto existe. E se isto fosse o caso, então o sentido da proposição dependeria do valor de verdade de outra proposição, o que fere a tese da independência do sentido da proposição em relação ao valor de verdade da proposição e de qualquer outra proposição. Portanto, não é possível que objetos possam ou não possam existir. Eles existem necessariamente e são a substância do mundo (TLP 2.021). Existem em todos os mundos possíveis (TLP 2.022-2.023), sendo que o que difere um mundo possível de outro não é a existência e inexistência de objetos, mas é apenas a forma como eles estão configurados em cada um dos mundos possíveis.
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1. De fato, Wittgenstein nunca disse que não se pode conceber um objeto fora de um estado de coisas. O que não se pode conceber é um objeto fora da possibilidade de se combinar com um outro objeto. Será que é consistente uma interpretação que afirma que é possível conceber objetos sem que estejam de fato combinado com outros objetos?
Uma das propriedades internas do objeto é que ele deve estar em um estado de coisas. Não é possível conceber um objeto fora de um estado de coisas, fora da possibilidade de uma combinação com outros objetos (TLP 2.0121). Se um objeto existe, então ele existe em uma combinação com outros objetos1.
Mas por que as coisas devem ser assim, como afirma inicialmente o Tractatus? Uma das respostas se encontra na natureza da lógica. Para Wittgenstein, a lógica é a priori. As proposições que representam o mundo devem representar contingências. Por exemplo, qual fato é representado pela proposição "ou chove ou não chove" ou pela proposição "o livro é vermelho e o livro não é vermelho"? Estas duas proposições não representam nada no mundo, pois não representam possibilidade alguma. Portanto, se no final da análise encontram-se os nomes simples, que se combinam de diversas possíveis maneiras formando as proposições elementares, inanalisáveis, e estes nomes estão para elementos simples do mundo, os objetos, da mesma forma os objetos devem se combinar de diversas maneiras possíveis para fazer parte de estados de coisas, que são todos os "fatos possíveis" da realidade (TLP 2.06). Assim, é uma propriedade interna do objeto a sua possibilidade de aparecimento em estados de coisas (TLP 2.0123-2.01231), de se combinar com outros objetos. O modo como os objetos estão combinados é a estrutura do estados de coisas (TLP 2.034) e a possibilidade da estrutura é a forma (TLP 2.033).
Outra característica dos objetos é que eles existem, necessariamente. Ou seja, se objetos pudessem não existir, então o sentido de uma proposição que representasse um objeto dependeria do sentido de uma outra proposição (TLP 2.0211), a saber, a proposição que afirma a existência deste objeto. Por exemplo, se "Fa" é uma proposição elementar e "a" é um nome que representa o objeto a, esta proposição só teria sentido se fosse verdadeira uma outra proposição que afirma que este objeto existe. E se isto fosse o caso, então o sentido da proposição dependeria do valor de verdade de outra proposição, o que fere a tese da independência do sentido da proposição em relação ao valor de verdade da proposição e de qualquer outra proposição. Portanto, não é possível que objetos possam ou não possam existir. Eles existem necessariamente e são a substância do mundo (TLP 2.021). Existem em todos os mundos possíveis (TLP 2.022-2.023), sendo que o que difere um mundo possível de outro não é a existência e inexistência de objetos, mas é apenas a forma como eles estão configurados em cada um dos mundos possíveis.
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1. De fato, Wittgenstein nunca disse que não se pode conceber um objeto fora de um estado de coisas. O que não se pode conceber é um objeto fora da possibilidade de se combinar com um outro objeto. Será que é consistente uma interpretação que afirma que é possível conceber objetos sem que estejam de fato combinado com outros objetos?
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