4/25/2008

Anthony Quinton, sobre Wittgenstein

Mais uma série de vídeos sobre Wittgenstein:

http://www.youtube.com/watch?v=JwNdgnC9uUI (parte 1)
http://www.youtube.com/watch?v=lbZixG6-vqM
(parte 2)
http://www.youtube.com/watch?v=cW2cWEt4NLQ (parte 3)
http://www.youtube.com/watch?v=O1Z2fDp6e04 (parte 4)
http://www.youtube.com/watch?v=tktTfzAR7RM (parte 5)

O vídeo fala das duas fases de Wittgenstein, mas eles conversam por um bom tempo sobre o Tractatus.
Rapidamente foi falado sobre as proposições da matemática e da lógica, afirmando que são tautologias.

Sim, as proposições da lógica são tautologias, pseudoproposições.
Mas as proposições da matemática, apesar de compartilhar algumas características em comum com as proposições da lógica (como ser pseudoproposição e não representar nada no mundo, mas mostrar algo), não são tautologias. Não possuem valor de verdade algum.

John Searle falando de Wittgenstein

Está disponível no Youtube uma entrevista onde John Searle fala sobre Wittgenstein.
Seguem os links:
http://www.youtube.com/watch?v=qrmPq8pzG9Q (parte 1)
http://www.youtube.com/watch?v=kl-iLxleHaw (parte 2)
http://www.youtube.com/watch?v=cjZBNDW7DmQ (parte 3)
http://www.youtube.com/watch?v=lGfHQzOzp9s (parte 4)
http://www.youtube.com/watch?v=p4q0ntDIQBw (parte 5)

Infelizmente eles não quiseram falar muito sobre o Tractatus, que é o que mais me interessa no momento.
Porém, queria destacar apenas algo do vídeo. Searle diz duas vezes que no Tractatus, a forma lógica do mundo determina a forma lógica da linguagem.

Isto parece ser o mais intuitivo: o mundo é determinado, é do jeito que é, e nós usamos a linguagem para representar como as coisas estão (ou poderiam estar) no mundo.
Há bastante discussão sobre este tema.

Mas para mim, o máximo que posso dizer no momento é que isto me parece ser o mais intuitívo.
Espero até o fim da minha pesquisa já ter posições mais fortes sobre este assunto.

Assistam o vídeo. :-D

4/19/2008

Como seria a análise da proposição?

No Tractatus, Wittgenstein elabora uma teoria da análise da proposição. Mas para isso ele não faz a análise das proposições, ou mesmo de qualquer proposição. O que Wittgenstein faz é mostrar como deve ser feita a análise.

Voltando ao exemplo de Russel, a proposição "O Atual rei da França é careca" pode ser analisada numa proposição como "Existe apenas um rei da França e este é careca".

Mas a análise, segundo o Tractatus, não pode terminar aqui, pois ela deve possuir um fim para que possa representar o mundo.

A análise deve chegar então até elementos simples, inanalisáveis. Todos os elementos complexos podem e devem ser analisáveis1. O fim da análise se dá quando encontramos as proposições elementares (TLP 4.221).

Portanto, voltando ao exemplo do Rei da França, a análise deveria continuar, de modo que não existam mais complexos analisáveis. Como a análise continuaria? É preciso analisar, por exemplo, os termos complexos “França”, “Rei” e “Careca”. Nomes próprios gramaticais como “Felipe” também são termos complexos que devem ser analisados, pois “Todo enunciado sobre complexos pode-se decompor em um enunciado sobre as partes constituintes desses complexos e nas proposições que o descrevem completamente” (TLP 2.0201).

Desse modo, a análise deve prosseguir, até que todos os elementos complexos da proposição e das proposições resultantes da análise sejam completamente analisadas até proposições elementares, que são complexos de nomes lógicos simples que não podem ser analisados nem definidos2. Os nomes se encontram no fim da análise porque eles devem estar para objetos simples no mundo, visto que o mundo é determinado e a análise deve possuir um fim.

Wittgenstein não mostra como seria feita a análise completa. Ele dá apenas algumas dicas, mas parece varrer para debaixo do tapete alguns problemas que surgem ao se tentar analisar completamente uma proposição. Entretanto, ele sabe que deve ser assim pois a forma geral da proposição mostra que toda proposição é funcão de verdade de proposições elementares e podem ser geradas a partir da forma geral da proposição, podendo dessa maneira representar a realidade.

Wittgenstein não faz uma análise completa da proposição porque diz que isto é papel para a aplicação da lógica3. E no Tractatus, ele não está realizando uma aplicação da lógica e nem mesmo criando uma nova lógica, mas propondo uma notação ideal capaz de representar corretamente a forma lógica presente nas proposições.

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1. Proposições elementares podem ser consideradas complexos, mas não complexos analisáveis, mas um complexo de nomes lógicos simples, que estão relacionados entre sí (TLP 4.22). Neste caso, apesar de proposições elementares serem coplexos, elas não são analisáveis.
2. Parece que definir um termo, um complexo, seria o mesmo que analisar este complexo mostrando as partes que o compõe, como mostram as proposições 3.24-3.26, que se encontram logo após proposições 3.2-3.24, que falam sobre a análise, como se falar de definir ou analisar um complexo fossem sinônimos.
3. Entretanto, as tentativas de se analisar uma proposição seguindo as orientações do Tractatus fazem como que inúmeros problemas e dificuldades tornem-se explicitos, como por exemplo mostra GRIFFIN (1997, p.41) e GLOCK (1998, p.45).

4/12/2008

Sobre o Tractatus

Neste post eu gostaria apenas de destacar um pequeno trecho do artigo "Can whether one proposition makes sense depend on the truth of another?" de R. M. White. Ele diz o seguinte, no início de seu artigo:

"For what the Tractatus represents is in fact a systematic and rigoroud thinking out with full consequence of a series of ideas on the inter-relations between a proposition's making sense, its being true or false, its having a negation, where we usually appeal to these ideas sporadically and unsystematically, without thinking them through to the end. These ideas are entirely natural and apparently self-evident, and yet taken at their face value are shown in the Tractatus to lead to the consequences which we find so bizarre and unacceptable."

O Tractatus então parte de intuições muito básicas, mas chega a conclusões aparentemente estranhas e inaceitáveis. Isto parece ser um carater paradoxal do Tractatus que merece atenção, a meu ver, para uma compreensão mais nítida do trabalho realizado por Wittgenstein nesta sua primeira fase.