7/25/2008

IV Colóquio Temático de Filosofia Analítica - Anti-individualismo e Autoconhecimento

Promoção
Programa de Pós-graduação de Filosofia da UFBA

De 22 a 24 de Setembro de 2008
Salvador, Bahia

Apresentação

O IV Colóquio Temático de Filosofia Analítica reúne na Bahia quinze filósofos do Brasil, Uruguai, Argentina e Espanha para discutir o problema do conhecimento da própria mente, um dos principais temas da filosofia analítica atual. Este evento é uma promoção conjunta do Programa de Pós-graduação de Filosofia da UFBA, do GT-Ceticismo e do projeto Externalismo, Autoconhecimento e Externalismo (CNPq). Ele dá continuidade à série dos Colóquios Temáticos de Filosofia Analítica, inaugurada com o I Colóquio Temático de Filosofia Analítica: Internalismo e Externalismo realizado em 2003 (Belo Horizonte), a que se seguiu o II Colóquio: Externalismo e Internalismo de 2005 (Brasília) e o III Colóquio: Dinâmica Cognitiva e Pensamento De Re em 2007 (Porto Alegre).

Dia 22/09:

8:30h Saudação aos participantes
Profa. Dra. Acylene Ferreira (Coord. PPG de Filosofia UFBA)
Prof. Dr. Daniel Tourinho (Dep. De Filosofia da UFBA)
Prof. Dr. Penildon Silva Fo. (Diretor do IAT)

9h Conferência de abertura: “Reflexiones sobre anti-individualismo y autoconocimiento”
Prof. Dr. Carlos Moya (Universidad de Valencia, Espanha)

10h “Do Externalismo ao Contextualismo”
Prof. Dr. André Leclerc (Univ. Federal da Paraíba)

11h “De primeira pessoa, porém não pessoal: pensando de re sobre si mesmo”
Prof. Dr. Hilan Bensusan (Univ. de Brasília)

15h “Externalismo, conhecimento de si e conhecimento do mundo”
Prof. Dr. Edgar Marques (Univ. Estadual do RJ)

16h “Autoconhecimento Mínimo”
Prof. Dr. Waldomiro Silva Filho (UFBA)

17h Mesa-redonda: “El auto-conocimiento y sus limites”
Prof. Dr. Manuel de Pinedo (Universidad de Granada, Espanha)
Prof. Cristina Borgoni (Universidad de Granada, Espanha)

18h Lanche

19h “Stranded on Empty Earth: slow-switching, make-believe and self-deception in philosophy”
Prof. Dr. Paulo Faria (Univ. Federal do RS)

Dia 23/09:

15h “Autoconhecimento e a possibilidade do erro”
Prof. Dr. Alexandre N. Machado (UFBA)

16h “Anti-individualismo y lenguaje privada”
Prof. Dr. Carlos Caorsi (Universidad de la República, Uruguai)

17h Comunicações: “Anti-individualismo e Autoconhecimento”
Doutorandos Jônadas Techio e César Schirmer dos Santos (UFRGS)

18h Lançamento dos livros
- Externalismo e Conteúdo Mental organizado por André Leclerc
- Razones e Interpretaciones: La Filosofia despues de D. Davidson de Carlos Caorsi e Waldomiro Silva Filho

19h “O autoconhecimento e a publicidade dos critérios”
Prof. Dr. João Vergílio Gallerani Cuter (USP)

Dia 24/09:

15h “Componentes proposicionais não-articulados”
Prof. Dr. Marco Ruffino (UFRJ)

16h “Percepção visual e internalismo”
Prof. Dr. André Porto (UFG)

17h “Displaced perception: Dretske's account of introspection”
Prof. Dr. Roberto Horácio de Sá Pereira (UFRJ)

18h intervalo

19h “Self-Knowledge and de se Ascriptions”
Profa. Dra. Eleonora Orlando (Univsersidad de Buenos Aires, Argentina)

Informações:

blog (a partir de agosto): http://terrasgemeas.blogspot.com

email: terrasgemeas@yahoo.com.br

telefones: 71 88019198 (organização); 71 31838460 (FAPEX)

Inscrições

Presenciais . FAPEX (R. Caetano Moura, no 140,
Federação) das 8h às 17h, de Segunda a Sexta.
Online . www.fapex.org.br

As inscrições acompanham um CD com artigos sobre
a temática e contribuições dos conferencistas.

Retirado de: http://problemasfilosoficos.blogspot.com/2008/07/iv-colquio-temtico-de-filosofia.html

6/07/2008

Operação N

Nos posts anteriores foi visto que toda proposição é função de verdade de proposições elementares, pois as proposições elementares são as proposições inanalisáveis que são encontradas no fim de uma análise, que deve ser única, ou seja, uma proposição qualquer não pode ser analisada de modo a obter resultados diferentes. Quando uma análise chega ao fim, o resultado é único. Para se chegar às proposições moleculares a partir das proposições elementares é preciso utilizar uma operação lógica, a operação N, que para Wittgenstein seria a única operação da lógica, pois com ela é possível gerar todas as proposições possíveis.

Assim, toda proposição pode ser gerada a partir de proposições elementares, aplicando-se a operação N(). Em 5.501 ele diz que o valor entre os parênteses pode ser atribuido de 3 modos distintos:

"1. A enumeração direta. Nesse caso, podemos simplesmente colocar, no lugar da variável, seus valores constantes. 2. A especificação de uma função x, cujos valores para todos os valores de x sejam as proposições a serem descritas. 3. A especificação de uma lei formal segundo a qual tais proposições sejam constituídas. Nesse caso, os termos da expressão entre parênteses são todos os termos de uma série formal."

A eumeração direta ocorre quando utilizamos proposições elementares como base da operação.

Por exemplo, supondo que p e q são proposições elementares, temos:

p q
V V
F V
V F
F F

A operação N(p) trás como resultado, neste caso, (F,V,F,V), pois onde tem F para todos os elementos da base (no caso apenas p), a operação inverte o valor para V, e nos demais casos, transforma em F.

A operação N(p,q), portanto, trás como resultado (F,F,F,V), pois na linha em que encontra F para todos os elementos da base (p e q) a operação resulta no valor de verdade V, e nos demais casos, F.

Portanto, para a operação N gerar como resultado uma contradição, basta aplicar N(N(p),p) (ou N(N(q),q)). E para chegar a uma tautologia, aplica-se N(N(N(p),p)).

E como fazer para a operação N produzir como resultado a mesma função de verdade que encontramos em "p.q"? N(N(p), N(q))

E "p v q"? N(N(p,q)).

"~p.~q"? N(p,q)

E assim por diante. Desse modo, Wittgenstein percebe que com a operação N é possível gerar todos os resultados possíveis, e assim, mostra também que "p v q" e "~(~p.~q)" são ambas a mesma proposição (diferentemente do que acreditava Frege e Russell), a saber, a proposição que é resultado da aplicação N(N(p,q)).

Além disso, a operação N parece sugerir outra coisa: que as constantes lógicas (~, v, ^, ->) nada acrescentam à proposição.

Mais a frente voltaremos a falar sobre isto.

5/28/2008

Instanciação Universal

Ainda não pretendo entrar na questão dos quantificadores. Entretando, no blog Problemas Filosóficos, o Prof. Alexandre realiza um pequeno debate com o Prof. Gauker, que apresentou um contra-exemplo da lei da instanciação universal seu livro.
O debate pode ser lido aqui (ler os comentários do post, que é onde ocorre o debate).

Estou citando este debate pois lendo o Tractatus, encontrei em 3.323 o seguinte:
"Na linguagem corrente, acontece com muita frequência que uma mesma palavra designe de maneiras diferentes - pertença, pois, a símbolos diferentes - ou que duas palavras que designam de maneiras diferentes sejam empregadas, na proposição, superficialmente do mesmo modo.
Assim, a palavra "é" aparece como cópula, como sinal de igualdade e como expressão da existência; "existir", como verbo intransitivo, tanto quanto "ir"; "idêntico", como adjetivo; falamos de algo, mas também de acontecer algo.
(Na proposição "Rosa é rosa" - onde a primeira palavra é um nome de pessoa, a última é um adjetivo - essas palavras não têm simplesmente significados diferentes, mas são símbolos diferentes.)"

Eu diria que Wittgenstein diria exatamente isto ao Prof. Gauker. E me parece que é isso que o Prof. Alexandre procura mostrar, ao dar exemplos de formas lógicas.

E talvez, Wittgenstein fechasse sua argumentação assim como ele continua, em 3.324:
"Assim nascem facilmente as confusões mais fundamentais (de que toda a filosofia está repleta)."

ps: Não estou aqui afirmando que nem Wittgenstein, nem que o prof. Alexandre nem que o prof. Gauker estão certos ou errados. Com certeza o debate é interessante e há muito a ser discutido. Estou apenas exibindo, através do Tractatus, uma possível resposta que o autor do Tractatus daria, neste caso.

5/26/2008

Bipolaridade e Forma Geral da Proposição

A bipolaridade essencial da proposição elementar não está apenas relacionada com o fato de que a proposição elementar deve representar algo contingente. Mas se a proposição elementar não for bipolar, então não é possível derivar de duas proposições elementares todas as 16 funções de verdade que delas são geradas quando são bipolares e utilizando a operação N. Por exemplo, supondo a tabela de verdade abaixo (agora com as colunas das proposições elementares "p" e "q"):


p q 1 2 ... 15 16
1 V V V F ...V F
2 F V V V ...F F
3 V F V V ...F F
4 F F V V ...F F

Porém, se as duas proposições utilizadas como base na tabela acima não forem bipolar, mas fossem ambas necessariamente verdadeiras, apenas a linha 1 poderia ser representada. Se apenas a proposição "p" fosse necessariamente verdadeira, e "q" bipolar, então apenas as linhas 1 e 3 poderia ser representada. Para ser possível então representar todas as funções de verdade é necessário que as proposições da base sejam necessariamente bipolares. A forma geral da proposição de Wittgenstein tem como condição necessária a bipolaridade. Se assim não for, Wittgenstein teria que criar uma alternativa para que fosse possível gerar todas as proposições moleculares que corretamente representam o mundo a partir das proposições elementares, que é uma das teorias centrais do Tractatus. Portanto, uma das principais razões de Wittgenstein atribuir a bipolaridade como característica essencial das proposições elementares se encontra na forma geral da proposição.

5/25/2008

Funções de Verdade

Em 5.1 Wittgenstein diz que as funções de verdade podem ser ordenadas em série, e dá um exemplo de como isso pode ser feito, em 5.101.

Assim, supondo que “p“ e “q” sejam proposições elementares, é possível mostrar na tabela de verdade abaixo todas as funções de verdade que podem ser geradas a partir de “p“ e “q”:

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

13

14

15

16

V

F

V

V

V

F

F

F

V

V

V

F

F

F

V

F

V

V

F

V

V

F

V

V

F

F

V

F

F

V

F

F

V

V

V

F

V

V

F

V

F

V

F

F

V

F

F

F

V

V

V

V

F

V

V

F

V

F

F

V

F

F

F

F


Em 5.5 Wittgenstein afirma que toda função de verdade é um resultado da aplicação sucessiva da operação (----V)(,...) a proposições elementares. Ou seja, apenas com uma operação é possível, aplicando a sucessivamente a selementares, gerar todas as proposições moleculares possíveis. E esta operação N, que nega todas as proposições entre os parêntesis a direita. Entretanto, vale ressaltar que não é a operação de negação “~”, mas uma negação mútua, ou seja, a operação N atribui o valor de verdade V apenas ao caso em que todas as proposições utilizadas como base estejam com os valores de verdade F. Nos demais caso, a operação N atribui o valor de verdade F.

5/24/2008

Operação Lógica

Na época em que escrevia o Tractatus, Wittgenstein sabia que era possível substituir todas as constantes lógicas pela barra de Scheffer. Além disso, ele tinha como intuição, partindo do princípio de que toda proposição molecular era analisável e esta análise era única, que toda proposição molecular poderia ser gerada a partir de proposições elementares, utilizando uma única operação lógica.

Uma operação é o que deve acontecer com uma proposição para que dela se faça outra, é a expressão de uma relação entre as estruturas de seus resultados e de suas bases (TLP 5.22; 5.23). Ou seja, aplicando-se operações de verdade a proposições elementares temos as funções de verdades (e toda proposição é função de verdade das proposições elementares)(TLP 5; 5.234).

Uma operação pode ser aplicada sucessivamente ao seu próprio resultado(TLP 5.2521). Por exemplo, se aplica-se a operação “O” a “a”, obtém-se “O’a”. Aplicando novamente a operação a este resultado, obtém-se “O’ O’a”. Ou seja, como Wittgenstein mostra em 5.2521, “O’ O’ O’a” é o resultado da tripla aplicação sucessiva de O‘” a “a”. Em 5.2522, Wittgenstein mostra a seguinte expressão: “[a,x,O’x]”. “a” é o início do que Wittgenstein chama de série formal. “x” é a forma de um termo qualquer da série (neste exemplo, supondo a aplicação tripla, “x” seria “O’O’O’a”). E “O’x” é a forma do termo que se segue imediatamente a “x”.

Wittgenstein então acredita que, aplicando sucessivamente uma operação de verdade às proposições elementares é possível obter como resultado qualquer outra proposição.

5/23/2008

A Análise é Única

Toda proposição genuína é analisável, pois a sua forma lógica real só pode ser encontrada ao fim da análise. E, para que a proposição possa expressar de maneira determinada, claramente especificável, o que ela exprime, a análise deve ser única (TLP 2.25;2.251). O que isso quer dizer?

Frege e Russel diriam que "(p v q)" é diferente de "~(~p.~q)". Entretanto, as duas são materiamente equivalentes. Se em um suposto final de uma análise fosse encontrado "(p v q)" e ao final de uma outra análise fosse encontrado
"~(~p.~q)", então Wittgenstein diria: "A análise não chegou ao fim". Pois afinal, se ambas são equivalente materialmente, elas não podem ser tratadas como diferente. A verdadeira forma lógica ainda não foi exibida. Para Wittgenstein, não era possível que "(p v q)" fosse diferente de "~(~p.~q)". Ambas mostram a mesma coisa.

Wittgenstein percebeu que, utilizando a barra de Sheffer, é possível mostrar o vinculo interno que existe entre as proposições (TLP 5.1311). Partindo desta intuição a respeito da barra de Sheffer, Wittgenstein percebeu que existia uma única operação capaz de gerar todas as funções de verdade possíveis partindo de proposições elementares. Por isso, toda proposição é função de verdade das proposições elementares (TLP 5), pois se há só uma análise, há também um meio de, partindo de proposições elementares, gerar as mais diversas proposições moleculares.

Esta operação é chamada por Wittgenstein de operação N.

5/22/2008

Um pouco sobre Objetos

Os objetos, no Tractatus, são os elementos mais simples do mundo que são representados pelos nomes simples da linguagem, formando proposições elementares que figuram algo no mundo. Dessa forma, os objetos são elementos simples que combinam-se entre si, como elos de uma corrente, sendo que esta combinação de objetos forma um estado de coisas (TLP 2.03). Se uma combinação específica de objetos existe no mundo, ou seja, se no mundo esta combinação específica de objetos acontece, então este estado de coisas é um fato, pois o fato é a existência de um estado de coisas (TLP 2) sendo que o mundo é a totalidade de fatos, tudo o que é o caso (TLP 1-1.1).

Uma das propriedades internas do objeto é que ele deve estar em um estado de coisas. Não é possível conceber um objeto fora de um estado de coisas, fora da possibilidade de uma combinação com outros objetos (TLP 2.0121). Se um objeto existe, então ele existe em uma combinação com outros objetos1.

Mas por que as coisas devem ser assim, como afirma inicialmente o Tractatus? Uma das respostas se encontra na natureza da lógica. Para Wittgenstein, a lógica é a priori. As proposições que representam o mundo devem representar contingências. Por exemplo, qual fato é representado pela proposição "ou chove ou não chove" ou pela proposição "o livro é vermelho e o livro não é vermelho"? Estas duas proposições não representam nada no mundo, pois não representam possibilidade alguma. Portanto, se no final da análise encontram-se os nomes simples, que se combinam de diversas possíveis maneiras formando as proposições elementares, inanalisáveis, e estes nomes estão para elementos simples do mundo, os objetos, da mesma forma os objetos devem se combinar de diversas maneiras possíveis para fazer parte de estados de coisas, que são todos os "fatos possíveis" da realidade (TLP 2.06). Assim, é uma propriedade interna do objeto a sua possibilidade de aparecimento em estados de coisas (TLP 2.0123-2.01231), de se combinar com outros objetos. O modo como os objetos estão combinados é a estrutura do estados de coisas (TLP 2.034) e a possibilidade da estrutura é a forma (TLP 2.033).

Outra característica dos objetos é que eles existem, necessariamente. Ou seja, se objetos pudessem não existir, então o sentido de uma proposição que representasse um objeto dependeria do sentido de uma outra proposição (TLP 2.0211), a saber, a proposição que afirma a existência deste objeto. Por exemplo, se "Fa" é uma proposição elementar e "a" é um nome que representa o objeto a, esta proposição só teria sentido se fosse verdadeira uma outra proposição que afirma que este objeto existe. E se isto fosse o caso, então o sentido da proposição dependeria do valor de verdade de outra proposição, o que fere a tese da independência do sentido da proposição em relação ao valor de verdade da proposição e de qualquer outra proposição. Portanto, não é possível que objetos possam ou não possam existir. Eles existem necessariamente e são a substância do mundo (TLP 2.021). Existem em todos os mundos possíveis (TLP 2.022-2.023), sendo que o que difere um mundo possível de outro não é a existência e inexistência de objetos, mas é apenas a forma como eles estão configurados em cada um dos mundos possíveis.

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1. De fato, Wittgenstein nunca disse que não se pode conceber um objeto fora de um estado de coisas. O que não se pode conceber é um objeto fora da possibilidade de se combinar com um outro objeto. Será que é consistente uma interpretação que afirma que é possível conceber objetos sem que estejam de fato combinado com outros objetos?


5/02/2008

A natureza do mundo

O mundo é tudo o que é o caso (TLP 1). O que é o caso, o fato, é a existência de estados de coisas (TLP 2). O estado de coisas é a ligação de objetos (coisas) (TLP 2.01). O objeto é simples (2.02).

Wittgenstein inicia o Tractatus com uma série de afirmações sobre a natureza do mundo, sendo que a primeira vista, para um leitor desavisado, estas afirmações podem parecer afirmações dogmáticas e gratuitas. Entretanto, as teses de Wittgenstein sobre a natureza do mundo seguem tanto historicamente como logicamente (no sentido da descoberta destas teses) das teses sobre a linguagem, ou seja, a partir da sua investigação sobre a linguagem e em quais condições ela é capaz de representar significativamente o mundo, Wittgenstein elaborou suas teses sobre a natureza do mundo.

Para ver claramente a forma lógica das proposições moleculares é preciso realizar uma análise destas proposições. No fim desta análise encontram-se proposições elementares, que são proposições inanalisáveis e simples, formada por nomes simples combinados entre si. Se o mundo é determinado e a linguagem deve representar este mundo, então a análise deve terminar em elementos que estão, nas proposições, no lugar de algo, no mundo, representando o mundo. Dessa forma, os nomes representam, espelham, os objetos no mundo.

Os objetos, simples, combinam-se formando estados de coisas possíveis. Wittgenstein não deu exemplos de objetos, assim como não deu exemplo de nomes, mas ele diz que não é contra os nossos sentimentos, nossas intuições, que não possamos analisar proposições até mencionar os elementos por nomes, pois o mundo deve consistir de elementos, deve ser definido, pois tem uma estrutura fixa (NB p.62), que são os objetos (TLP 2.027), afinal, “ainda que o mundo seja infinitamente complexo, de modo que cada fato consista em uma infinidade de estados de coisas e cada estado de coisas seja composto de uma infinidade de objetos, mesmo assim deveria haver objetos e estados de coisas” (TLP 4.2211). Algumas interpretações afirmam que os objetos são fenomenológicos, são os dados dos sentidos, enquanto a interpretação fisicalista diz que os objetos são elementos no mundo físico, independente dos nossos sentidos1. Mas mesmo sem ter dado exemplos e mostrando que não é contra-intuitivo afirmar a existência de objetos, Wittgenstein mostrou como eles devem ser.

Veremos isto na próxima postagem.

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1. Hintikka (1986) defende a posição fenomenológica de que os objetos são os dados do sentido, enquanto Carruthers (1990), argumentando contra Hintikka, defende que esta posição é insustentável. Para mim, se o Tractatus for interpretado de um modo realista, então não é possível que os objetos sejam dados do sentido, de acordo com as evidências textuais de Wittgenstein.

4/25/2008

Anthony Quinton, sobre Wittgenstein

Mais uma série de vídeos sobre Wittgenstein:

http://www.youtube.com/watch?v=JwNdgnC9uUI (parte 1)
http://www.youtube.com/watch?v=lbZixG6-vqM
(parte 2)
http://www.youtube.com/watch?v=cW2cWEt4NLQ (parte 3)
http://www.youtube.com/watch?v=O1Z2fDp6e04 (parte 4)
http://www.youtube.com/watch?v=tktTfzAR7RM (parte 5)

O vídeo fala das duas fases de Wittgenstein, mas eles conversam por um bom tempo sobre o Tractatus.
Rapidamente foi falado sobre as proposições da matemática e da lógica, afirmando que são tautologias.

Sim, as proposições da lógica são tautologias, pseudoproposições.
Mas as proposições da matemática, apesar de compartilhar algumas características em comum com as proposições da lógica (como ser pseudoproposição e não representar nada no mundo, mas mostrar algo), não são tautologias. Não possuem valor de verdade algum.

John Searle falando de Wittgenstein

Está disponível no Youtube uma entrevista onde John Searle fala sobre Wittgenstein.
Seguem os links:
http://www.youtube.com/watch?v=qrmPq8pzG9Q (parte 1)
http://www.youtube.com/watch?v=kl-iLxleHaw (parte 2)
http://www.youtube.com/watch?v=cjZBNDW7DmQ (parte 3)
http://www.youtube.com/watch?v=lGfHQzOzp9s (parte 4)
http://www.youtube.com/watch?v=p4q0ntDIQBw (parte 5)

Infelizmente eles não quiseram falar muito sobre o Tractatus, que é o que mais me interessa no momento.
Porém, queria destacar apenas algo do vídeo. Searle diz duas vezes que no Tractatus, a forma lógica do mundo determina a forma lógica da linguagem.

Isto parece ser o mais intuitivo: o mundo é determinado, é do jeito que é, e nós usamos a linguagem para representar como as coisas estão (ou poderiam estar) no mundo.
Há bastante discussão sobre este tema.

Mas para mim, o máximo que posso dizer no momento é que isto me parece ser o mais intuitívo.
Espero até o fim da minha pesquisa já ter posições mais fortes sobre este assunto.

Assistam o vídeo. :-D

4/19/2008

Como seria a análise da proposição?

No Tractatus, Wittgenstein elabora uma teoria da análise da proposição. Mas para isso ele não faz a análise das proposições, ou mesmo de qualquer proposição. O que Wittgenstein faz é mostrar como deve ser feita a análise.

Voltando ao exemplo de Russel, a proposição "O Atual rei da França é careca" pode ser analisada numa proposição como "Existe apenas um rei da França e este é careca".

Mas a análise, segundo o Tractatus, não pode terminar aqui, pois ela deve possuir um fim para que possa representar o mundo.

A análise deve chegar então até elementos simples, inanalisáveis. Todos os elementos complexos podem e devem ser analisáveis1. O fim da análise se dá quando encontramos as proposições elementares (TLP 4.221).

Portanto, voltando ao exemplo do Rei da França, a análise deveria continuar, de modo que não existam mais complexos analisáveis. Como a análise continuaria? É preciso analisar, por exemplo, os termos complexos “França”, “Rei” e “Careca”. Nomes próprios gramaticais como “Felipe” também são termos complexos que devem ser analisados, pois “Todo enunciado sobre complexos pode-se decompor em um enunciado sobre as partes constituintes desses complexos e nas proposições que o descrevem completamente” (TLP 2.0201).

Desse modo, a análise deve prosseguir, até que todos os elementos complexos da proposição e das proposições resultantes da análise sejam completamente analisadas até proposições elementares, que são complexos de nomes lógicos simples que não podem ser analisados nem definidos2. Os nomes se encontram no fim da análise porque eles devem estar para objetos simples no mundo, visto que o mundo é determinado e a análise deve possuir um fim.

Wittgenstein não mostra como seria feita a análise completa. Ele dá apenas algumas dicas, mas parece varrer para debaixo do tapete alguns problemas que surgem ao se tentar analisar completamente uma proposição. Entretanto, ele sabe que deve ser assim pois a forma geral da proposição mostra que toda proposição é funcão de verdade de proposições elementares e podem ser geradas a partir da forma geral da proposição, podendo dessa maneira representar a realidade.

Wittgenstein não faz uma análise completa da proposição porque diz que isto é papel para a aplicação da lógica3. E no Tractatus, ele não está realizando uma aplicação da lógica e nem mesmo criando uma nova lógica, mas propondo uma notação ideal capaz de representar corretamente a forma lógica presente nas proposições.

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1. Proposições elementares podem ser consideradas complexos, mas não complexos analisáveis, mas um complexo de nomes lógicos simples, que estão relacionados entre sí (TLP 4.22). Neste caso, apesar de proposições elementares serem coplexos, elas não são analisáveis.
2. Parece que definir um termo, um complexo, seria o mesmo que analisar este complexo mostrando as partes que o compõe, como mostram as proposições 3.24-3.26, que se encontram logo após proposições 3.2-3.24, que falam sobre a análise, como se falar de definir ou analisar um complexo fossem sinônimos.
3. Entretanto, as tentativas de se analisar uma proposição seguindo as orientações do Tractatus fazem como que inúmeros problemas e dificuldades tornem-se explicitos, como por exemplo mostra GRIFFIN (1997, p.41) e GLOCK (1998, p.45).

4/12/2008

Sobre o Tractatus

Neste post eu gostaria apenas de destacar um pequeno trecho do artigo "Can whether one proposition makes sense depend on the truth of another?" de R. M. White. Ele diz o seguinte, no início de seu artigo:

"For what the Tractatus represents is in fact a systematic and rigoroud thinking out with full consequence of a series of ideas on the inter-relations between a proposition's making sense, its being true or false, its having a negation, where we usually appeal to these ideas sporadically and unsystematically, without thinking them through to the end. These ideas are entirely natural and apparently self-evident, and yet taken at their face value are shown in the Tractatus to lead to the consequences which we find so bizarre and unacceptable."

O Tractatus então parte de intuições muito básicas, mas chega a conclusões aparentemente estranhas e inaceitáveis. Isto parece ser um carater paradoxal do Tractatus que merece atenção, a meu ver, para uma compreensão mais nítida do trabalho realizado por Wittgenstein nesta sua primeira fase.

3/30/2008

Ainda sobre o fim da análise...

TLP 4.2211:
"Ainda que o mundo seja infinitamente complexo, de modo que cada fato consista em uma infinidade de estados de coisas e cada estado de coisas seja composto de uma infinidade de objetos, mesmo assim deveria haver objetos e estados de coisas."

Este é um aforisma interessante, do Tractatus. No momento, eu gostaria de citá-lo apenas para trazer mais uma evidência de que para Wittgenstein, é muito forte a intuição de que por mais complexo que possa parecer o mundo, há objetos e estados de coisas no mundo. O mundo é totalmente determinado, pois mais que seja infinitamente complexo para nós descrevermos esta determinação com precisão.

Ora, se o mundo é determinado, a análise deve então ter um fim, para que possamos falar dele.

3/28/2008

A análise da proposição

A proposição é, para Wittgenstein, o meio do qual, através da linguagem, podemos falar sobre o mundo.

Mas vimos aqui que a forma lógica real da proposição normalmente é ocultada pela sua forma aparente. Com diz Wittgenstein, "a linguagem é um traje que disfarça o pensamento. E, na verdade, de um modo tal que não se pode inferir, da forma exterior do traje, a forma do pensamento trajado; isso porque a forma exterior do traje foi constituída segundo fins inteiramentes diferentes de tornar reconhecível a forma do corpo." (TLP 4.002)

Para saber qual a forma real da proposição é necessário realizar uma análise da mesma, como mostrado no post anterior. Mas esta análise tem um fim? Como saber que a análise chegou ao fim, e o que se encontra neste fim?

A análise tem um fim, e mais que isso, para Wittgenstein, ela deve ter um fim. Afinal, a proposição diz algo sobre como o mundo é. Se uma análise da proposição fosse realizada até o infinito, sem o fim, entâo como uma proposição poderia representar algo determinado sobre o mundo, já que o mundo é determinado?

Se a análise da proposição não tivesse um fim, ela então não possuiria um sentido determinado, e portanto, não poderia representar algo determinado.

Mas o mundo é determinado e essa intuição é uma intuição fundamental para Wittgenstein. Logo, a análise deve ter um fim para que o sentido de uma proposição seja determinado e ela possa representar corretamente o mundo.

No fim da análise encontram-se então proposições que são inanalisáveis. Proposições elementares, logicamente independentes, pois o sentido de uma proposição não pode depender do valor de verdade de uma proposição qualquer (pois senão o sentido não seria determinado, não poderia representar uma situação que é ou não é de determinada forma). Além disso, o valor de verdade de uma proposição pode depender do valor de verdade de outras proposições, mas isso quando elas ainda são analisáveis. O valor de verdade de uma proposição analisável depende do valor de verdade das proposições que a compõem. Mas no fim da análise, todas as proposições elementares encontradas devem ser logicamente independentes entre sí, pois elas são proposições inanalisáveis.

O que se encontra no fim da análise são as proposições elementares.

3/27/2008

O mérito de Russell

TLP 4.0031:
"Toda filosofia é 'crítica da linguagem'. (Todavia, não no sentido de Mauthner.) O mérito de Russell é ter mostrado que a forma lógica aparente da proposição pode não ser sua forma lógica real."

WIttgenstein por muito tempo seguiu os passos de Frege e Russell, ora concordando e abraçando as idéias, ora discordando e desenvolvendo novas idéias. Neste aforisma do Tractatus, Wittgenstein admite como mérito de Russell mostrar que uma proposição ordinária qualquer esconde sua forma lógica real.
Frege havia feito algo semelhante, mas Wittgenstein atribuiu a Russell este mérito por acreditar que Russell tinha a melhor resposta.

Para Frege, uma proposição como "O atual rei da França é careca" é uma proposição sem valor de verdade, pois o termpo "o atual rei da França" não possui referencia, e portanto, a proposição não pode ter valor de verdade.
Para Russell isto era inaceitável. "O atual rei da França é careca" é uma proposição nitidamente falsa. E para mostrar que é falsa, Russell faz uma anáslie desta proposição, mostrando que "O atual rei da França é careca" é uma espécie de resumo de três outras proposições: "(1)Existe um x que é rei da França, sendo que (2) para qualquer y, se y é rei da França, então y é igual a x, e (3) x é careca".

Desse modo, uma proposição pode ter valor de verdade independente do fato de que um objeto satisfaça ou não a descrição onde ele apareça. Ou seja, "O atual rei da França é careca" é falso justamente porque a proposição (1) da análise é falsa. Não existe um x que é rei da França.

Wittgenstein, seguindo as pegadas de Russell, parece ter percebido que é essencial para uma proposição que ela tenha valor de verdade. Ou seja, se algo não possui valor de verdade, não é proposição.
E com esta análise realizada por Russell, é possível perceber que uma proposição possui valor de verdade independentemente do valor de verdade das proposições resultantes da análise (que, claro, devem também ter valor de verdade).

O valor de verdade da proposição é que depende do valor de verdade das proposições resultantes da análise, mas o possuir um valor de verdade independe do valor de verdade das proposições resultantes.

Mas Wittgenstein se pergunta, nos Notebooks (p.2):
"Existe uma análise completa? Se não existe, então qual é a tarefa da filosofia?"

Será que é posível analisar uma proposição até que a análise esteja completa?
Quais as consequências destas reflexões, em Wittgenstein?

3/20/2008

Bipolaridade e bivalência

Em uma postagem anterior, falei rapidamente sobre a bipolaridade.

Talvez seja necessário aqui uma explicação mais cuidadosa, pois o que se chama normalmente por bipolaridade muitas vezes é confundido com o princípio da bivalência.

O princípios da bivalência diz que uma proposição só pode ser verdadeira ou falsa, mas não ambos. Ou seja, proposições que são necessariamente verdadeiras são proposições que estão de acordo com este princípio.

O princípio da bipolaridade é um princípio que não aceita a necessidade, ou seja, se uma proposição é verdadeira, então é possível ser falsa, e se é falsa, então é possível que ela seja verdadeira. Ou seja, define a contingencia. Proposições necessárias não são proposições bipolares, pois não é possível para uma proposição necessariamente verdadeira ser falsa (p ~◊~p).

A bipolaridade não se segue do sentido determinado das proposições. O mundo é determinado e poderia representar um mundo com proposições necessárias, por exemplo, pois uma proposição necessária é determinada, ou com proposições que podem ter 3 valores de verdade possível, pois isso também não fere a determinação do mundo.

Isto não é o caso no Tractatus por outras razões (que pretendo trazer brevemente).

Esta é a diferença entre bipolaridade e bivalência.

Sentido determinado da proposição

No Tractatus, uma proposição genuína, que descreve o mundo, deve possuir um sentido determinado.

Qual parece ser a razão para que as coisas sejam assim, para Wittgenstein?

No livro Lógica e forma de vida, de Alexandre Noronha Machado (pag. 34), pude ler algumas citações ao Notebooks, de Wittgenstein, uma obra pré-tractatus. Por exemplo:

"Não é contra o nosso sentimento que nós não podemos analisar proposições até o ponto de mencionar os elementos pelo nome? Não, sentimos que o mundo deve consistir de elementos. E parece como se isso fosse idêntico à proposição de que o mundo deve ser o que é, deve ser determinado. Em outras palavras, o que pode vacilar é nossa determinação, não o mundo. Parece como se negar as coisas fosse o mesmo que dizer que o mundo pode, por assim dizer, ser indeterminado no sentido em que nosso conhecimento é incerto e indeterminado.
O mundo possui uma estrutura fixa." (Notebooks, pg. 62)

Me parece que nesta época (e creio que isso também se dá no Tractatus), para Wittgenstein, o mundo é totalmente determinado. E para ele, isto é uma intuição forte que sentimos que o mundo deve consistir de elementos e que o mundo seja determinado.

Se o mundo é determinado, e as proposições devem descrever o mundo, figurar o mundo, então as proposições devem possuir um sentido determinado, ou seja, deve representar uma realidade determinada (um estado de coisa possível e determinado).

Se o que uma proposição representa é indeterminado, então parece que ou ela não representa corretamente o mundo ou o mundo é indeterminado. Mas para Wittgenstein, um mundo indeterminado é contra-intuitívo.

Parece então que foi partindo destas intuições fundamentais que Wittgenstein assume então que se uma proposição representa algo do mundo, seu sentido deve ser totalmente determinado.

3/15/2008

Sobre a bipolaridade

No Tractatus logico-philosophicus, toda proposição genuína é bipolar.

O que isso quer dizer?

Quer dizer que para uma proposição ser considerada uma proposição genuína, que diga algo sobre o mundo, ela deve ser possível ser verdadeira ou falsa.

Poderia alguem dizer que existem proposições verdadeiras e existem proposições falsas. Mas isso não é suficiente para que saibamos que uma proposição é genuína, pois proposições da lógica são proposições verdadeiras, aliás, necessariamente verdadeiras. E por conta disso, elas não podem ser consideradas proposições genuínas, pois não são bipolares.

Pode-se representar a bipolaridade da seguinte forma:

(◊p ◊~p) ^ (◊~p ◊p)

Ou seja: Se é possível que p, então é possível que não-p, e se é possível que não-p, então é possível que p.

A verdade ou falsidade da proposição genuína não pode ser garantida no símbolo apenas. Por isso, a proposição genuína deve ser bipolar, deve permitir a possibilidade de ser falsa ou verdadeira.

Por conta disto, junto a tese da bipolaridade das proposições encontramos a tese da independencia do sentido da proposição em relação à sua verdade ou falsidade.

Proposições da lógica e proposições genuínas

No aforismo 6.113 do Tractatus, Wittgenstein diz o seguinte:
"É a marca característica particular das proposições lógicas que sua verdade se possa reconhecer no símbolo tão-somente, e esse fato contém em sí toda a filosofia da lógica. Assim, é também um dos fatos mais importantes que a verdade ou falsidade das proposições não lógicas não possa ser reconhecida na proposição tão-somente"

Quando eu li este aforisma, tive a impressão de que ele é uma espécie de resumo sobre o que Wittgenstein explica no Tractatus a respeito das proposições genuínas e proposições da lógica.

As proposições da lógica nunca dizem nada, pois são sempre tautologias. Por isso se pode reconhecer no símbolo tão-somente a sua verdade, pois elas são necessariamente verdadeiras. Nenhuma verificação empírica deve ser feita.

Já as proposições genuínas são bipolares, ou seja, ela deve poder ser verdadeira e poder ser falsa.
A verdade ou falsidade destas proposições só pode ser reconhecida comparando-as com o mundo.