A bipolaridade essencial da proposição elementar não está apenas relacionada com o fato de que a proposição elementar deve representar algo contingente. Mas se a proposição elementar não for bipolar, então não é possível derivar de duas proposições elementares todas as 16 funções de verdade que delas são geradas quando são bipolares e utilizando a operação N. Por exemplo, supondo a tabela de verdade abaixo (agora com as colunas das proposições elementares "p" e "q"):
| p | q | 1 | 2 | ... | 15 | 16 | |
| 1 | V | V | V | F | ... | V | F |
| 2 | F | V | V | V | ... | F | F |
| 3 | V | F | V | V | ... | F | F |
| 4 | F | F | V | V | ... | F | F |
Porém, se as duas proposições utilizadas como base na tabela acima não forem bipolar, mas fossem ambas necessariamente verdadeiras, apenas a linha 1 poderia ser representada. Se apenas a proposição "p" fosse necessariamente verdadeira, e "q" bipolar, então apenas as linhas 1 e 3 poderia ser representada. Para ser possível então representar todas as funções de verdade é necessário que as proposições da base sejam necessariamente bipolares. A forma geral da proposição de Wittgenstein tem como condição necessária a bipolaridade. Se assim não for, Wittgenstein teria que criar uma alternativa para que fosse possível gerar todas as proposições moleculares que corretamente representam o mundo a partir das proposições elementares, que é uma das teorias centrais do Tractatus. Portanto, uma das principais razões de Wittgenstein atribuir a bipolaridade como característica essencial das proposições elementares se encontra na forma geral da proposição.
No comments:
Post a Comment