7/25/2008

IV Colóquio Temático de Filosofia Analítica - Anti-individualismo e Autoconhecimento

Promoção
Programa de Pós-graduação de Filosofia da UFBA

De 22 a 24 de Setembro de 2008
Salvador, Bahia

Apresentação

O IV Colóquio Temático de Filosofia Analítica reúne na Bahia quinze filósofos do Brasil, Uruguai, Argentina e Espanha para discutir o problema do conhecimento da própria mente, um dos principais temas da filosofia analítica atual. Este evento é uma promoção conjunta do Programa de Pós-graduação de Filosofia da UFBA, do GT-Ceticismo e do projeto Externalismo, Autoconhecimento e Externalismo (CNPq). Ele dá continuidade à série dos Colóquios Temáticos de Filosofia Analítica, inaugurada com o I Colóquio Temático de Filosofia Analítica: Internalismo e Externalismo realizado em 2003 (Belo Horizonte), a que se seguiu o II Colóquio: Externalismo e Internalismo de 2005 (Brasília) e o III Colóquio: Dinâmica Cognitiva e Pensamento De Re em 2007 (Porto Alegre).

Dia 22/09:

8:30h Saudação aos participantes
Profa. Dra. Acylene Ferreira (Coord. PPG de Filosofia UFBA)
Prof. Dr. Daniel Tourinho (Dep. De Filosofia da UFBA)
Prof. Dr. Penildon Silva Fo. (Diretor do IAT)

9h Conferência de abertura: “Reflexiones sobre anti-individualismo y autoconocimiento”
Prof. Dr. Carlos Moya (Universidad de Valencia, Espanha)

10h “Do Externalismo ao Contextualismo”
Prof. Dr. André Leclerc (Univ. Federal da Paraíba)

11h “De primeira pessoa, porém não pessoal: pensando de re sobre si mesmo”
Prof. Dr. Hilan Bensusan (Univ. de Brasília)

15h “Externalismo, conhecimento de si e conhecimento do mundo”
Prof. Dr. Edgar Marques (Univ. Estadual do RJ)

16h “Autoconhecimento Mínimo”
Prof. Dr. Waldomiro Silva Filho (UFBA)

17h Mesa-redonda: “El auto-conocimiento y sus limites”
Prof. Dr. Manuel de Pinedo (Universidad de Granada, Espanha)
Prof. Cristina Borgoni (Universidad de Granada, Espanha)

18h Lanche

19h “Stranded on Empty Earth: slow-switching, make-believe and self-deception in philosophy”
Prof. Dr. Paulo Faria (Univ. Federal do RS)

Dia 23/09:

15h “Autoconhecimento e a possibilidade do erro”
Prof. Dr. Alexandre N. Machado (UFBA)

16h “Anti-individualismo y lenguaje privada”
Prof. Dr. Carlos Caorsi (Universidad de la República, Uruguai)

17h Comunicações: “Anti-individualismo e Autoconhecimento”
Doutorandos Jônadas Techio e César Schirmer dos Santos (UFRGS)

18h Lançamento dos livros
- Externalismo e Conteúdo Mental organizado por André Leclerc
- Razones e Interpretaciones: La Filosofia despues de D. Davidson de Carlos Caorsi e Waldomiro Silva Filho

19h “O autoconhecimento e a publicidade dos critérios”
Prof. Dr. João Vergílio Gallerani Cuter (USP)

Dia 24/09:

15h “Componentes proposicionais não-articulados”
Prof. Dr. Marco Ruffino (UFRJ)

16h “Percepção visual e internalismo”
Prof. Dr. André Porto (UFG)

17h “Displaced perception: Dretske's account of introspection”
Prof. Dr. Roberto Horácio de Sá Pereira (UFRJ)

18h intervalo

19h “Self-Knowledge and de se Ascriptions”
Profa. Dra. Eleonora Orlando (Univsersidad de Buenos Aires, Argentina)

Informações:

blog (a partir de agosto): http://terrasgemeas.blogspot.com

email: terrasgemeas@yahoo.com.br

telefones: 71 88019198 (organização); 71 31838460 (FAPEX)

Inscrições

Presenciais . FAPEX (R. Caetano Moura, no 140,
Federação) das 8h às 17h, de Segunda a Sexta.
Online . www.fapex.org.br

As inscrições acompanham um CD com artigos sobre
a temática e contribuições dos conferencistas.

Retirado de: http://problemasfilosoficos.blogspot.com/2008/07/iv-colquio-temtico-de-filosofia.html

6/07/2008

Operação N

Nos posts anteriores foi visto que toda proposição é função de verdade de proposições elementares, pois as proposições elementares são as proposições inanalisáveis que são encontradas no fim de uma análise, que deve ser única, ou seja, uma proposição qualquer não pode ser analisada de modo a obter resultados diferentes. Quando uma análise chega ao fim, o resultado é único. Para se chegar às proposições moleculares a partir das proposições elementares é preciso utilizar uma operação lógica, a operação N, que para Wittgenstein seria a única operação da lógica, pois com ela é possível gerar todas as proposições possíveis.

Assim, toda proposição pode ser gerada a partir de proposições elementares, aplicando-se a operação N(). Em 5.501 ele diz que o valor entre os parênteses pode ser atribuido de 3 modos distintos:

"1. A enumeração direta. Nesse caso, podemos simplesmente colocar, no lugar da variável, seus valores constantes. 2. A especificação de uma função x, cujos valores para todos os valores de x sejam as proposições a serem descritas. 3. A especificação de uma lei formal segundo a qual tais proposições sejam constituídas. Nesse caso, os termos da expressão entre parênteses são todos os termos de uma série formal."

A eumeração direta ocorre quando utilizamos proposições elementares como base da operação.

Por exemplo, supondo que p e q são proposições elementares, temos:

p q
V V
F V
V F
F F

A operação N(p) trás como resultado, neste caso, (F,V,F,V), pois onde tem F para todos os elementos da base (no caso apenas p), a operação inverte o valor para V, e nos demais casos, transforma em F.

A operação N(p,q), portanto, trás como resultado (F,F,F,V), pois na linha em que encontra F para todos os elementos da base (p e q) a operação resulta no valor de verdade V, e nos demais casos, F.

Portanto, para a operação N gerar como resultado uma contradição, basta aplicar N(N(p),p) (ou N(N(q),q)). E para chegar a uma tautologia, aplica-se N(N(N(p),p)).

E como fazer para a operação N produzir como resultado a mesma função de verdade que encontramos em "p.q"? N(N(p), N(q))

E "p v q"? N(N(p,q)).

"~p.~q"? N(p,q)

E assim por diante. Desse modo, Wittgenstein percebe que com a operação N é possível gerar todos os resultados possíveis, e assim, mostra também que "p v q" e "~(~p.~q)" são ambas a mesma proposição (diferentemente do que acreditava Frege e Russell), a saber, a proposição que é resultado da aplicação N(N(p,q)).

Além disso, a operação N parece sugerir outra coisa: que as constantes lógicas (~, v, ^, ->) nada acrescentam à proposição.

Mais a frente voltaremos a falar sobre isto.

5/28/2008

Instanciação Universal

Ainda não pretendo entrar na questão dos quantificadores. Entretando, no blog Problemas Filosóficos, o Prof. Alexandre realiza um pequeno debate com o Prof. Gauker, que apresentou um contra-exemplo da lei da instanciação universal seu livro.
O debate pode ser lido aqui (ler os comentários do post, que é onde ocorre o debate).

Estou citando este debate pois lendo o Tractatus, encontrei em 3.323 o seguinte:
"Na linguagem corrente, acontece com muita frequência que uma mesma palavra designe de maneiras diferentes - pertença, pois, a símbolos diferentes - ou que duas palavras que designam de maneiras diferentes sejam empregadas, na proposição, superficialmente do mesmo modo.
Assim, a palavra "é" aparece como cópula, como sinal de igualdade e como expressão da existência; "existir", como verbo intransitivo, tanto quanto "ir"; "idêntico", como adjetivo; falamos de algo, mas também de acontecer algo.
(Na proposição "Rosa é rosa" - onde a primeira palavra é um nome de pessoa, a última é um adjetivo - essas palavras não têm simplesmente significados diferentes, mas são símbolos diferentes.)"

Eu diria que Wittgenstein diria exatamente isto ao Prof. Gauker. E me parece que é isso que o Prof. Alexandre procura mostrar, ao dar exemplos de formas lógicas.

E talvez, Wittgenstein fechasse sua argumentação assim como ele continua, em 3.324:
"Assim nascem facilmente as confusões mais fundamentais (de que toda a filosofia está repleta)."

ps: Não estou aqui afirmando que nem Wittgenstein, nem que o prof. Alexandre nem que o prof. Gauker estão certos ou errados. Com certeza o debate é interessante e há muito a ser discutido. Estou apenas exibindo, através do Tractatus, uma possível resposta que o autor do Tractatus daria, neste caso.

5/26/2008

Bipolaridade e Forma Geral da Proposição

A bipolaridade essencial da proposição elementar não está apenas relacionada com o fato de que a proposição elementar deve representar algo contingente. Mas se a proposição elementar não for bipolar, então não é possível derivar de duas proposições elementares todas as 16 funções de verdade que delas são geradas quando são bipolares e utilizando a operação N. Por exemplo, supondo a tabela de verdade abaixo (agora com as colunas das proposições elementares "p" e "q"):


p q 1 2 ... 15 16
1 V V V F ...V F
2 F V V V ...F F
3 V F V V ...F F
4 F F V V ...F F

Porém, se as duas proposições utilizadas como base na tabela acima não forem bipolar, mas fossem ambas necessariamente verdadeiras, apenas a linha 1 poderia ser representada. Se apenas a proposição "p" fosse necessariamente verdadeira, e "q" bipolar, então apenas as linhas 1 e 3 poderia ser representada. Para ser possível então representar todas as funções de verdade é necessário que as proposições da base sejam necessariamente bipolares. A forma geral da proposição de Wittgenstein tem como condição necessária a bipolaridade. Se assim não for, Wittgenstein teria que criar uma alternativa para que fosse possível gerar todas as proposições moleculares que corretamente representam o mundo a partir das proposições elementares, que é uma das teorias centrais do Tractatus. Portanto, uma das principais razões de Wittgenstein atribuir a bipolaridade como característica essencial das proposições elementares se encontra na forma geral da proposição.

5/25/2008

Funções de Verdade

Em 5.1 Wittgenstein diz que as funções de verdade podem ser ordenadas em série, e dá um exemplo de como isso pode ser feito, em 5.101.

Assim, supondo que “p“ e “q” sejam proposições elementares, é possível mostrar na tabela de verdade abaixo todas as funções de verdade que podem ser geradas a partir de “p“ e “q”:

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

13

14

15

16

V

F

V

V

V

F

F

F

V

V

V

F

F

F

V

F

V

V

F

V

V

F

V

V

F

F

V

F

F

V

F

F

V

V

V

F

V

V

F

V

F

V

F

F

V

F

F

F

V

V

V

V

F

V

V

F

V

F

F

V

F

F

F

F


Em 5.5 Wittgenstein afirma que toda função de verdade é um resultado da aplicação sucessiva da operação (----V)(,...) a proposições elementares. Ou seja, apenas com uma operação é possível, aplicando a sucessivamente a selementares, gerar todas as proposições moleculares possíveis. E esta operação N, que nega todas as proposições entre os parêntesis a direita. Entretanto, vale ressaltar que não é a operação de negação “~”, mas uma negação mútua, ou seja, a operação N atribui o valor de verdade V apenas ao caso em que todas as proposições utilizadas como base estejam com os valores de verdade F. Nos demais caso, a operação N atribui o valor de verdade F.