3/20/2008

Sentido determinado da proposição

No Tractatus, uma proposição genuína, que descreve o mundo, deve possuir um sentido determinado.

Qual parece ser a razão para que as coisas sejam assim, para Wittgenstein?

No livro Lógica e forma de vida, de Alexandre Noronha Machado (pag. 34), pude ler algumas citações ao Notebooks, de Wittgenstein, uma obra pré-tractatus. Por exemplo:

"Não é contra o nosso sentimento que nós não podemos analisar proposições até o ponto de mencionar os elementos pelo nome? Não, sentimos que o mundo deve consistir de elementos. E parece como se isso fosse idêntico à proposição de que o mundo deve ser o que é, deve ser determinado. Em outras palavras, o que pode vacilar é nossa determinação, não o mundo. Parece como se negar as coisas fosse o mesmo que dizer que o mundo pode, por assim dizer, ser indeterminado no sentido em que nosso conhecimento é incerto e indeterminado.
O mundo possui uma estrutura fixa." (Notebooks, pg. 62)

Me parece que nesta época (e creio que isso também se dá no Tractatus), para Wittgenstein, o mundo é totalmente determinado. E para ele, isto é uma intuição forte que sentimos que o mundo deve consistir de elementos e que o mundo seja determinado.

Se o mundo é determinado, e as proposições devem descrever o mundo, figurar o mundo, então as proposições devem possuir um sentido determinado, ou seja, deve representar uma realidade determinada (um estado de coisa possível e determinado).

Se o que uma proposição representa é indeterminado, então parece que ou ela não representa corretamente o mundo ou o mundo é indeterminado. Mas para Wittgenstein, um mundo indeterminado é contra-intuitívo.

Parece então que foi partindo destas intuições fundamentais que Wittgenstein assume então que se uma proposição representa algo do mundo, seu sentido deve ser totalmente determinado.

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