Assim, toda proposição pode ser gerada a partir de proposições elementares, aplicando-se a operação N(). Em 5.501 ele diz que o valor entre os parênteses pode ser atribuido de 3 modos distintos:
"1. A enumeração direta. Nesse caso, podemos simplesmente colocar, no lugar da variável, seus valores constantes. 2. A especificação de uma função x, cujos valores para todos os valores de x sejam as proposições a serem descritas. 3. A especificação de uma lei formal segundo a qual tais proposições sejam constituídas. Nesse caso, os termos da expressão entre parênteses são todos os termos de uma série formal."
A eumeração direta ocorre quando utilizamos proposições elementares como base da operação.
Por exemplo, supondo que p e q são proposições elementares, temos:
| p | q |
| V | V |
| F | V |
| V | F |
| F | F |
A operação N(p) trás como resultado, neste caso, (F,V,F,V), pois onde tem F para todos os elementos da base (no caso apenas p), a operação inverte o valor para V, e nos demais casos, transforma em F.
A operação N(p,q), portanto, trás como resultado (F,F,F,V), pois na linha em que encontra F para todos os elementos da base (p e q) a operação resulta no valor de verdade V, e nos demais casos, F.
Portanto, para a operação N gerar como resultado uma contradição, basta aplicar N(N(p),p) (ou N(N(q),q)). E para chegar a uma tautologia, aplica-se N(N(N(p),p)).
E como fazer para a operação N produzir como resultado a mesma função de verdade que encontramos em "p.q"? N(N(p), N(q))
E "p v q"? N(N(p,q)).
"~p.~q"? N(p,q)
E assim por diante. Desse modo, Wittgenstein percebe que com a operação N é possível gerar todos os resultados possíveis, e assim, mostra também que "p v q" e "~(~p.~q)" são ambas a mesma proposição (diferentemente do que acreditava Frege e Russell), a saber, a proposição que é resultado da aplicação N(N(p,q)).
Além disso, a operação N parece sugerir outra coisa: que as constantes lógicas (~, v, ^, ->) nada acrescentam à proposição.
Mais a frente voltaremos a falar sobre isto.
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